Notícia

Evento Vamos Falar do Autismo

Em alusão ao Dia Mundial da Consciencialização do Autismo que se assinalou a 2 de Abril, a Consultora YouIn e a Clínica Peandra, realizaram no dia 28 de Abril o evento “Vamos falar de Autismo” que contou com o apoio da UNITEL.

O encontro visou juntar terapeutas, pais, educadores e médicos numa abordagem simples e coerente sobre o Autismo nas suas várias vertentes e também aos olhos da sociedade angolana.

Telmo dos Santos Gestor Sénior de Saúde Segurança e Ambiente da UNITEL, fez uma breve apresentação da politica da empresa virada para a saúde e bem-estar das pessoas.

“Estamos permanentemente preocupados com temas ligados a saúde e por este motivo a empresa tem realizado várias iniciativas que visam a partilha da informação e o despertar da consciência dos Colaboradores e da sociedade de um modo geral, para os temas que impactam directamente a vida nas comunidades”, defendeu.

O médico Leite Cruzeiro da Clínica Peandra, foi orador e moderador da mesa redonda tendo começado por apresentar o historial do Autismo, os primeiros sinais, sintomas, critérios e diagnósticos.

“Inicialmente para ser considerado uma criança no espectro autista, tinha de ter a fala comprometida, caso contrário, era considerado síndrome de asperger.

Os primeiros diagnósticos surgiram na década de 40. A classificação e a forma de diagnosticar tornaram-se mais evidentes nos anos 90, altura em que o tema escalonou”, partilhou o médico.

Antes dos 12, 15 e 18 meses é muito raro conseguir-se perceber o espectro nas crianças, e é exactamente depois desta idade que os pais reduzem as idas ao consultório.

Diagnosticar o mais cedo possível melhora o prognóstico e idealmente deve ocorrer entre os 18 e 24 meses.

No encontro, os médicos foram unânimes em afirmar que o motivo frequente da procura do neuropediatria é o atraso na aquisição da fala e linguagem.

Sempre que virmos qualquer atraso, convém começar a intervenção precoce pois ajuda o prognóstico”, Leite Cruzeiro.

Existem outros sinais que não podem ser ignorados pelos pais, nomeadamente:

  • Redução do contacto olho-a-olho
  • Olhar evasivo dispersivo
  • Não gostar da insistência no olhar
  • Não atender quando chamado pelo nome
  • Uso útil das pessoas- preferência pelo isolamento
  • Atracção prolongada por movimentos giratórios
  • Reacção inusitada a estímulos sensoriais e sensitivos
  • Falha e uso da linguagem
  • Desejo de manter os objectos organizados da mesma maneira.

Estima-se que surjam mais de 10.000 crianças autistas por ano, sendo que não existe um tratamento efectivo e que as intervenções foram apontadas pelos especialistas como a chave para contornar esta realidade.

Segundo Leite Cruzeiro a distribuição das crianças assistidas em consulta quanto a idade e sexo, varia dos 5 aos 9 anos com maior incidência para os rapazes. O especialista afirmou que 60% das crianças atendidas em consultório, não tem comunicação verbal.

A mesa redonda que se mostrou bastante interactiva entre Terapeutas, Pedopsiquiatras e a plateia. (presencial e online). Temas como sinais de alerta, dificuldade no diagnóstico, idade correcta para intervenção, reduzido número de terapeutas no mercado, acesso às terapias para todas as camadas sociais e as estratégias para a recuperação de crianças e suas famílias após o diagnóstico foram os mais comentados.

Foram ainda partilhadas várias ideias de melhoria e caminho para melhor integração e inclusão social do autista, tal como a união dos pais ou encarregados de educação, estímulos para as empresas que empregam pessoas autistas, ou escolas e centros infantis que recebam crianças nesta condição, bem como memorandos que definam benefícios para os mesmos.

O Autismo ainda é um tabu e por este motivo é necessário que organizações públicas, privadas e a sociedade abordem cada vez mais o tema para juntos encontrarem respostas e consequentemente melhorar-se a qualidade de vida do autista e das suas famílias.

Recentemente, e à luz da efeméride, a UNITEL realizou um webinar para os Colaboradores com objectivo de desmistificar o tema, disseminar a informação e entreajuda entre pais e encarregados de educação com crianças autistas.

O Autismo não é uma doença e sim um transtorno de fórum neurológico. É uma condição relacionada ao desenvolvimento do cérebro que modifica a forma como indivíduos que estão no espectro veem e compreendem o mundo, e até a forma como se relacionam com as outras pessoas. Assim é uma forma diferente de ver o mundo e um jeito único de ser.

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