Notícia

Conhece Amílcar Safeca, Administrador e Director Geral Adjunto da UNITEL.

Há mais de 20 anos na empresa, recebeu o convite para participar do projecto UNITEL em 1999.
No ano seguinte, vindo da Alemanha, onde se formou em Engenharia Electrotécnica na área da automação industrial, juntou-se à primeira equipa técnica daquela que viria a ser a maior empresa de telecomunicações em Angola.

Nasci em Mavinga, na Província do Cuando Cubango, uma terra que não conheço porque saí de lá com menos de de 1 ano e não tive ainda a oportunidade de voltar. Depois vivi na cidade do Porto Amboim, Província do Cuanza Sul e passei alguns anos na cidade do Huambo.
Na adolescência tive uma breve passagem pela Província de Malanje e depois vim para Luanda onde vivi 1 ano e meio. Aos 19 anos parti para a Alemanha onde estive cerca de 13 anos.
Tenho uma família grande, com mais de 6 irmãos.
Sempre tive uma queda para as ciências técnicas e engenharias (matemática, física e química) e por isso pensava em fazer arquitectura ou engenharia.
Ao ingressar na Universidade Agostinho Neto, decidi fazer engenharia electrotécnica ou ciências da computação.
A minha intenção era fazer a licenciatura fora de Angola e com muito esforço consegui uma bolsa de estudo para a Alemanha para o curso Tecnologia Têxtil. Já na Alemanha, isso em 1986 e com a ajuda da embaixada de Angola, consegui mudar para o curso de engenharia electrotécnica.
Concluí a licenciatura em 1992. A convite da universidade, inscrevi-me para o doutoramento em automação e ciências da computação e mais tarde fui contratado para investigador científico, cheguei a dar aulas e a acompanhar os estudantes nos seus trabalhos de fim de curso.
Estive envolvido nas primeiras actividades para a implementação da internet em Angola, prestei assistência para algumas empresas de telecomunicações, assisti o lançamento da 1ª rede GSM na Alemanha, nessa altura fui já adquirindo conhecimento sobre o vasto universo das telecomunicações.
Em 1999, ainda na Alemanha, recebi o convite para participar do projecto UNITEL. Era um ambiente novo, um projecto de raíz e com um futuro incerto, mas senti-me empolgado e por isso decidi abraçar.
A UNITEL foi o meu primeiro emprego em Angola, cá estou há 22 anos e sinto-me bem desde então.
Em Janeiro de 2000, comecei a trabalhar na equipa do projecto UNITEL e assumi a posição de Director Técnico, éramos 5 pessoas. Pouco tempo depois formou-se o grupo técnico com cerca de 12 pessoas que trabalhou em toda a fase de implementação da UNITEL até ao lançamento comercial em 2001.
Durante estes mais de 20 anos vivi muitos momentos marcantes, falo da nossa tentativa de montagem da primeira torre na altura no morro dos veados, após um dia árduo de trabalho, não conseguimos colocar a torre em funcionamento devido aos imensos constrangimentos técnicos que vivemos. Mas não desistimos, traçamos outra estratégia, mudar de local e acabamos por implementar a primeira torre da UNITEL na Samba, foi um marco ao final de muito trabalho.
Outro facto marcante foi quando fizemos a primeira chamada técnica em Janeiro de 2001. Foram ocasiões de enorme satisfação, víamos a materialização do projecto e o resultado de vários dias de trabalho.

Ainda em 2001 por altura do lançamento comercial, alargamos a equipa e passamos de 12 para cerca de 80 pessoas, foi uma fase excepcional, pois juntaram-se à equipa vários jovens estudantes, recém-licenciados, cheios de sonhos, ideias e dinâmicos.
O alargamento da rede à Província de Benguela, foi outro grande feito.
Outro facto interessante foi quando fizemos o primeiro milhão de clientes, e daí não mais paramos.
Mais recentemente, tenho na memória o lançamento da rede 4G em 2012. Fomos a 4ª operadora a lançar esta tecnologia em África e desde então ficamos sempre nos primeiros lugares a nível da inovação tecnologia e de serviços no continente, apesar de ultimamente termos afrouxado devido aos constrangimentos económicos vividos no País.
Tanto na vida pessoal como profissional, procuro respeitar a opinião dos outros, gosto de ouvir as pessoas, dar espaço para que emitam as suas opiniões, gosto de desafiá-las e confiar no trabalho que desenvolvem. Procuro empoderá-las e questioná-las permanentemente.
Gosto de trabalhar com pessoas inteligentes que querem criar e ultrapassar barreiras, procuro promove-las e beneficiar do conhecimento que trazem. Isso vem do meu lado docente e de investigador científico e o facto de ter vivido durante muitos anos na Alemanha também influenciou, pois, os alemães são um povo perfeccionista e disciplinado, o que fez de mim uma pessoa rigorosa no trabalho e que procura fazer sempre muito bem as coisas.
Para mim o mais importante numa organização são as pessoas, por isso sempre insisti muito na formação das equipas, na especialização das pessoas. Fruto disso, felizmente criamos há dois anos a carreira de especialista na UNITEL, vamos continuar a trabalhar para ver crescer o número de especialistas na empresa.
Sou autodidacta, em 22 anos de UNITEL, fiz poucas formações entre as quais a de AXE com a Ericsson e o curso geral de Gestão. Apenas concluí um deles por incompatibilidade com as tarefas que estava a desenvolver na altura.
Na UNITEL não trabalhei apenas para o pelouro técnico, já supervisionei a comunicação e imagem, publicidade, desenvolvimento de novos serviços e produtos, mas ultimamente estou focado na área tecnológica que é o meu desafio principal.
Ao falar do meu percurso, não me posso esquecer que já assumi a função de Director Geral (interino), durante alguns anos e em diferentes períodos. E que sou membro do Conselho de Administração da UNITEL desde 2006, sendo que agradeço a confiança de todos accionistas ao longo destes 16 anos de CA.
Tenho como grande desafio a gestão da minha agenda, tenho constantemente muitos compromissos intrínsecos as funções que desempenho. Mas no final de tudo, o meu maior desafio ao longo de todos esses anos são as pessoas, no sentido de conseguir motivá-las e engajá-las para ultrapassar as várias barreiras técnicas, operacionais, comerciais e de suporte.
A nível da organização, foi difícil ultrapassar os desafios logísticos quando começamos a expandir a rede para todas as Províncias e as dificuldades provocadas pela crise económica e de divisas.
Em 2018, quase perdemos a capacidade de operação da rede porque não conseguíamos pagar os fornecedores. Tínhamos de gerir cada divisa que conseguíamos, tivemos contratos suspensos, por exemplo a Ericsson suspendeu toda a actividade com a UNITEL.
Foi uma fase difícil, em que mais do que nunca contamos fortemente com nossas equipas para manter o serviço a funcionar. Aqui deixo uma palavra de agradecimento a todas as equipas envolvidas neste processo, pois deram o seu melhor que tudo se mantivesse a funcionar apesar das enormes restrições que tivemos.
Em regra, encaro os desafios e dificuldades de forma relativamente fria e desapaixonada. Diante de um desafio, temos é de perceber o que fazer, ter foco e começar a trabalhar. É o que procuro sempre passar as minhas equipas.

A UNITEL é para mim um projecto de vida, entrei na fase da concepção, crescimento e amadurecimento até se transformar na excelente empresa que é hoje, um caso de sucesso onde temos quase 3 mil pessoas engajadas e apaixonadas pelo que fazem e eu ainda tenho essa chama inicial muito patente em mim.
Mesmo que tenha novos desafios noutras áreas (fora da empresa), a camisola UNITEL vai estar sempre comigo.
Do ponto de vista profissional, considero-me um felizardo, consegui terminar o meu doutoramento, voltei para o meu País e pude oferecer o meu conhecimento, através da UNITEL contribuí para o desenvolvimento do sector das telecomunicações em Angola. O meu muito obrigado à todas as pessoas que estiveram ao meu lado e ajudaram-me.
O principal legado que penso estar a deixar, é o de ter impulsionado de forma significativa o crescimento de várias pessoas dentro da UNITEL, sendo que muitas delas já abraçaram outros desafios fora da organização.
O facto da UNITEL ter sido das primeiras empresas a avançar para o interior de Angola e ter aproximado famílias e o modernizado as telecomunicações, dá-nos o sentimento de missão cumprida.
Ao olhar para a empresa hoje, vejo que a pandemia lançou-nos um repto do ponto de vista operacional que vai levar a UNITEL a um patamar diferente. Vivíamos numa fase em que se falava da digitalização que muitos não sabiam exatamente o que é, e a pandemia trouxe a consciência e necessidade de se colocar em prática o mais rápido possível.
Na UNITEL o tema digitalização não é novo, começou a ser trabalhado em 2012/2013 com a digitalização de vários processos. O efeito da pandemia sobre a UNITEL e sobre a sociedade vai provocar uma aceleração muito forte, não agora porque estamos todos muito preocupados com a própria pandemia, mas creio que em 2022 as coisas vão voltar ao normal e vamos pensar melhor na forma como trabalhamos, pois, serão levantados temas que vão mudar a maneira de ver e fazer as coisas.
Para finalizar, deixo a seguinte mensagem para as nossas pessoas: mantenham uma mente aberta para as mudanças, não as encarem como ameaças, mas como oportunidades para superação.
O posto de trabalho do futuro, que é praticamente agora, exige que as pessoas estejam permanentemente a adquirir conhecimento quer seja em forma de autodidatismo ou formação formal. Tenham propensão para progredir, quem assim fizer tenho a certeza que sairá vencedor.
Na UNITEL, temos muitas pessoas com uma enorme capacidade de trabalho, disponíveis para o trabalho mesmo quando fora da sua zona de conforto, e isso me deixa muito satisfeito.

Amílcar Safeca
Administrador e Director Geral Adjunto